quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Lavinia e o pai natal da catarina

Lavínia e o Pai Natal

Cena 1

(despertador toca)
(Lavínia estava sentada na cama)


Lavínia-Meu Deus!(exclamou)tanta coisa para fazer e eu aqui deitada.

(Lavínia levanta-se)

Lavínia-A mãe pensa que o Pai Natal não existe! (conta para o público a sorrir) Têm a mania de acreditar em tudo o que lhe dizem no emprego.

(Lavínia sai do quarto e dirigi-se para a sala de jantar para tomar o pequeno almoço. Quando chega à sala de jantar senta-se à mesa)

Lavínia-Bom dia!

Mãe e pai-Bom dia querida!

Lavínia-Estou ansiosa para que venha o Pai Natal

Mãe-O Pai Natal não existe eu sei.

Pai-O Pai Natal é mentira.Toda a gente sabe.

Lavínia -(gritava)Isso não é verdade, ele vem durante a noite de 24 de Dezembro e escorrega pelas chaminés.

Mãe-E como é que ele cabe na chaminé?

Pai-Não se está mesmo a ver que é mentira?

(Lavínia, levanta-se, pega no jarro do café e serve os pais)

Lavínia -(explica enquanto lhes deita o café nas chávenas) O Pai Natal sabe tudo por isso não se engana.Se os adultos foram bonzinhos durante todo o ano, o Pai Natal traz todos os brinquedos que eles pediram.

(Lavínia senta-se)

Pai-Um PC portátil?

Mãe-Um telemóvel ?

Lavínia-(exclama)Mas para que é que queres tu outro telemóvel, não me dizes?!Tens o teu quarto cheio deles!Já nem ligas nenhuma!

Mãe-(amuada)Quero outro...

Lavínia-Pronto,está bem,o Pai Natal vai trazer-te outro telemóvel.

Pai-O Pai Natal, não. Eu sei muito bem que és tu que compras tudo.

Lavínia-(comenta para o publico)Adultos...não pensam como nós...



Cena 2

(Lavínia e os pais estão com vassouras a limpar a casa)

Pai-(resmungão) Que tolice!Todo este trabalho para alguém que não existe...

Mãe-(encolhendo os ombros)O que é preciso é ter presentes no dia 25 de manhã

Cena 3

(Lavínia está sentada na cama ao lado de margarida e estão a conversar)

Margarida-Que responsabilidade ser filha! Fica sabendo que vão ser em criança aquilo que nós conseguirmos fazer deles em adultos.Já li isso numa revista.Não são capazes de pedir nada de útil.

Lavínia-São adultos o que que queres?

Margarida- Ainda há dias fui com eles a uma loja de brinquedos, para ver se os entusiasmava, e nada.Mostrei-lhes um urso de peluche lindíssimo, uma boneca que até deitava bolinhas pela boca quando tomava o biberão, uma barbie com um blusão de couro que era um espectáculo, um balde de legos que até dava para fazer guindastes, enfim, coisas que lhes podiam servir para a vida inteira mas nem olharam.E ainda estão convencidos que, mas absolutamente convencidos!, de que ele não existe.

Lavínia-Os meus vieram com a mesma conversa. Sabes o que é, coisas que os outros lhes dizem lá nos empregos. Os empregos são muito bons, preparam-nos muito bem para virem a ser crianças responsáveis, mas têm os seus inconvenientes.

Margarida-Até já me lembrei de ir falar com o Bebé que toma conta deles e dizer-lhe para ter mãos nos adultos à sua guarda, e não deixar os piores influenciarem os melhores com conversas dessas.Os filhos põem os pais nos empregos é para ficarem sossegados

Lavínia-Eles precisam de descobrir por si próprios.É a vida.Têm tempo para isso quando forem crianças.



Cena 4

(Lavínia coloca alguns pratos com comida ao pé da lareira)


(passado alguns minutos o Pai Natal aparece na chaminé)

Lavínia-(exclama)Olá!

Pai Natal-(choramingou) Olha esta desgraça: sem querer fiz um rasgão enorme.E logo este casaco, tão novo, ainda só fez 638 natais. O que não vai dizer a Mãe Natal quando eu voltar.

Lavínia-Ora essa, não há problema nenhum! Vou ali buscar a minha caixa de costura e o casaco fica como novo em dois minutos!

(Lavínia coseu o casaco do Pai Natal enquanto ele comia bolos)

Pai Natal-Bom, tenho que ir à vida!

Lavínia-Então e os presentes?

Pai natal-(dá uma grande gargalhada)Ai a minha cabeça!Estou a ficar cada vez mais criança, é o que é!


(o Natal retira os presentes do saco e mete-os no chão)

Pai Natal-Acho que está tudo o que pediste.

(retira os presentes para os adultos)

Pai Natal- As porcarias que os adultos pedem, francamente... Daqui a dias já não ligam nenhuma a esta tralha.

Lavínia-São adultos, Pai Natal! Temos de ter paciência.

Pai Natal-Lá isso é verdade, coitadinhos.

(O Pai Natal levanta-se com dificuldade)

Pai Natal-(resmunga) Não devia ter comido tantos doces.

(Despertador toca. Lavínia começa a dar-lhe pancadinhas)

Mãe- Lavínia, acorda! Lavínia são horas! Lavínia há tanto que fazer!

(Lavínia senta-se na cama e a mãe começa a olhar para o despertador)

Mãe-Isto é que foi dormir!Bem se vê que são férias.

Lavínia-Mãe...A minha casinha de bonecas?

Mãe-(ri-se)Calma, a Noite de Natal é só amanhã! E enquanto à casinha de bonecas...Vamos lá ver se ela vai aparecer. Agora é preciso levantares-te, já é muito tarde, e eu quero arrumar o quarto antes de sair.

Lavínia-Ai, mãe se tu soubesses o sonho que eu tive esta noite. Era assim como se eu fosse tua mãe e tu minha filha...

(a mãe deu uma gargalhada)

Mãe-Olha que não seria má ideia, para tu veres o que custa!

(Enquanto Lavínia lhe conta a história a mãe faz os lençóis a rir)

Mãe-E se fôssemos à cozinha tomar um grande pequeno-almoço

Lavínia-Boa ideia!

(sentaram-se à mesa e tomaram o pequeno-almoço)

Mãe-O que estará aqui a fazer a minha caixa de costura?!Coisa esquisita...Não me lembro nada de lhe ter pegado ontem!

(Lavínia levanta-se da mesa e aproxima-se da caixa de costura)

Lavínia -E aqui neste sítio!Ao pé do fogão?E com o carrinho de linhas quase no fim...Eu não tenho nada vermelho. Nem tu, que eu saiba. Quem é que poderia ter estado aqui, neste lugar, a coser com linha vermelha e sem ter tido o trabalho de arrumar tudo?

Mãe-(sorri)Tu é que não foste de certeza, Lavínia! Lembras-te há dias, quando quiseste dar um ponto na bainha da saia da tua boneca? Por mais que picasses o dedo, não foste capaz. E se o teu dedo deitava sangue!

(riram as duas)

Mãe-Coisa estranha...

(a mãe sai da cozinha)

Lavínia-(gritou)Ó mãe! O Pai Natal...

Mãe-(interrompe)Lá vens tu com essa conversa. Já sabes que o Pai Natal não existe! É só uma história muito bonita, mais nada.

Lavínia-Pois é. Tens razão. O Pai Natal não existe. Eu é que sou tonta.

1 comentário:

Manuela e Classe Mat Po disse...

Estão verdadeiramente de parabéns!!!
Conseguiram captar a atenção do grupo dos mais pequenos, o que nem sempre acontece, ainda para mais com uma história como esta que não é fácil.
Ficamos á espera das próximas histórias da Alice Vieira.